Os pássaros que voam aqui,
Não me entendem.
Não entendem meu vôo.
Não entendem meu cantar.
Não me olham no rosto.
Não conhecem minha alma.
Os pássaros daqui,
Não conhecem a beleza do céu,
Voam em busca do nada,
Eu vôo em busca do tudo.
Não viveríamos a passear...
Então eu vou para a estrela,
No meio da Lua...Pouso,
E nela vivo meu sonho,
Nela, vôo...
CaRlInHa
Se acordo amanhã...não sei...
Mas se acordar...o que farei?
Como acordar sem te ver?
Mas se durmo e sonho,
Porque ainda sonhar-te?
Quisera ser rio, ir pra longe,
Quem sabe encostar numa margem,
Que não fosse sonho.
Andar na terra firme,
Sentir meus pés fincados no chão.
Hoje sonho,
Não sonhar meus sonhos.
Viver nessa Terra firme e fria,
Ao menos um dia.
Doce Terra que nem conheci,
Aqui só vivi sonhos...
CaRlInHa
O que ocorre comigo??
Tudo?? Ou nada ???
Se tudo explode em amor,
Naquela flor azul...
Se nada...mora na solidão.
Converso com os anjos.
Só neles encontro paz,
As respostas para as minhas perguntas.
As perguntas que em você,
Não vejo respostas...
Só nos anjos...
CaRlInHa
Nas costas, a mochila.
Na tarde vazia, sem guia.
No corpo, um jeans.
No coração, as lembranças,
Seguindo a estrada,
Na alma, turbilhão,
Coração se desfazia,
Nas árvores se escondia.
Em tudo que via,
Pura agonia,
Saudade escorria.
As lembranças do passado,
Jogadas na valeta,
No piche do asfalto.
Acalentadas, agora adormecidas,
Perdidas no tempo,
Sorriam no vento...
CaRlInHa
Nas bolhas de sabão, teu retrato,
Molhando meu avental,
Na poça do lado da pia,
Na casa onde a gente vivia.
Agora transformados em lágrimas,
No retrato da sala,
Intacto, amarelado pelo tempo.
Pura lágrima no chão da cozinha,
Estranha dor dentro do meu coração,
Na pia, no avental,
No fundo do meu quintal...
CaRlInHa
Na contramão moravam os versos.
Num sinal de trânsito impedido.
Num cruzamento perigoso,
Duvidoso...
Nos versos desconexos,
Amor...Desamor...
Parado naquela esquina,
Perdidos na paixão,
Vivendo de mão em mão...
CaRlInHa
Se ao menos fosse pastor,
Mas não tenho nem rebanho.
Vivo só naquela estrada,
Olhando o vento de quem passa.
Se ao menos fosse vento,
Quem sabe me sentirias,
Batendo no seu rosto...carícias.
Mas não sou nem Sol nem Lua,
Nem as estrelas do céu.
Oculto-me no verbo,
Ser ausente de quem ama.
Mas como queria ser, viver,
Existir...
Ainda que por um segundo,
Naquele silêncio profundo,
Na pessoa que é...você.
CaRlInHa
Meu sono,
Sono de quem nem dorme,
Que se acorda,
No mundo...
Volta a dormir.
Não na sombra de um cipestre,
Mas na estalagem do assombro.
Colada ao teu ombro.
Vivo nesta estrada,
Como quem não tem vestes, nem nada.
Tu és aquela paisagem,
Naquela caverna,
Do sono profundo.
No sono profundo...
Meu mundo...
Carlinha

Num canto,
Numa vila qualquer,
Qualquer lugar tem um canto,
Qualquer lugar tem um banco.
Um banco pra se sentar,
Um casal de namorados,
Uma pomba a bicar.
Em qualquer canto mora o amor.
Em qualquer canto mora a dor.
Preciso escolher um canto,
Um canto pra se sentar.
Escolho o canto do amor,
A dor deixo pra depois,
Se der tempo passo lá.
Mas o canto que mais gosto,
Tem perfume de jasmim,
Essa flor que mora em ti.
Que meu canto vai cantar,
Naquele canto num jardim,
Doce flor que mora em mim...
Carlinha

Acordei com o pé no vento.
Sem tempo,
Abracei o teu dia,
Sem versos, sem poesia,
Andando no vento,
Morando em teu peito...

Sem romarias
Cantamos o hino,
Que toquem os sinos...
Longe das quinquilharias.
No espaço da sala,
O retrato arrumado.
Na mesa um vaso,
Um vaso de flores,
Não mais jogadas na sala,
Regadas no amor,
Sobreviveram no tempo,
Anunciam novas flores...
Novos tempos...

No meio
Do dedo,
No vão,
Da palma,
Da minha mão,
Moram os versos
Do poeta
Dentro do meu coração...

No imenso azul do céu,
A tribo das borboletas,
Seguem teus giros no espaço,
Retiram da face teu véu.
São elas o estandarte,
Tu és estrela, sem céu.
Procuram elas as ramas,
Tu amas na noite o fél.
Levando os raios de estrela,
Nas asas do passarinho,
O pobre homem vai,
Num mundo pequeno...mesquinho!!!

Não quero nos versos ,
A expressão do poeta analisar.
Poeta é poesia,
E no verso pronuncia
Toda a sua fantasia.
Em meio a neblina,
Com sua cambraia,
No meio da noite,
Tecem versos, poemas,
Guardados no peito.
Em sua choupana,
A lanterna, nas mãos o papel,
Lindos versos do poeta,
Que nos olhos engelhados,
Pronuncia o verbo AMAR...

Procuro o espaço,
O espaço nos versos,
Na beira da noite,
Na noite em açoite,
No rabo da estrela,
Não quero cometa.
Quero a estrela,
Aquela do alto,
No meio da lua,
Que namora comigo,
Dorme em meus versos
E amanhece no Sol...
No vão da sala e da copa,
Dormem meus versos.
No meio do quarto,
Naquele armário embutido,
No meio daquele vestido.
Naquela cama vazia,
Em meio do travesseiro,
Queimando no meu lençól.
Meus versos moram ali,
Lá dentro daquela choça,
Em meio daquelas sarças...
Do lado do Sol e da Lua,
Dormindo na noite, nua...

O sonho
A poesia inacabada
Mora em mim.
Percorre minha alma
E vive em cada canto,
Na espera de um final.
De um verso,
De uma estrofe,
Simplesmente a espera,
No azul imenso do céu.
Na beira de um portal,
Esquecidas nas lembranças
Aguardando o teu sinal.
Que me mostram na angústia
O teu final...
O fim,
O seu final.
Tristes lembranças...
Triste final...
Na beira do abismo,
Mais um sinal...

Que a inocência
Presente
Viva de um beijo ausente
Que se faz presente

Na noite
O brilho das ruas,
Dos carros, das casas.
Na surdez, sua memória,
Que grita
E chama meu nome.
Indago a lua
Que me traz você,
Mas a brisa,
Um tanto tonta
Te leva.
Deixa meus pensamentos,
Divagando em prantos
Percorrendo as ruas,
As casas,
As luzes,
A lua...
Na solidão...
Sem asas,
Só eu e a lua.

Sem poesias
Acompanho a procissão.
No imenso azul
Que escorre no vão,
Nos dedos ,
Da minha mão.
O
O oceano mora em mim,
Jorra sua água,
Pura lágrima,
Nas gotas de orvalho
Que caem em você.
Molha meu corpo,
Jorra em minha boca
Esse beijo teu.
Mergulho em teu corpo
Delírio...
Naquela margem...
Só tua imagem!!!
Naquela imagem...
Só você!!!

Ruas, avenidas, bares,
Onde anda fada madrinha?
Nos cantos da vida...
Mostra-se tua face
Fria.
Sentida com a própria vida.
Já não podes retornar,
Desceste ao lodo,
Na vida fria.
Amores fingidos, corpos nus
Abraçando apenas o dinheiro
Perdendo sentimentos.
Pobre menina da vida,
Imaginaste outra vida,
Mas perdeste a ti mesma
E a ti não mais encontras.
Volta, fica,
Vem pros meus braços,
Minha filha nesta dita,
Retorna...
Alma aflita,
Alma bendita!!!!

A flor quero ofertar-te
Já não sonhas este mundo
Transformas-te em poesia
Tudo o que aqui colheste.
Não chores, viva a magia,
Eleve a alma e reflete,
De que valem as palavras,
Se não levam o coração?
Ergue-te e voa
No universo infinito,
Lá teus sons encontrarão
O mundo dos aflitos,
E tu serás paz
Dentro da imensidão.
Onde as almas se encontram,
Vivem e resplandecem,
As alegrias do amor.
Sonha, voa...endoidece!
Mas jamais te esquece!!!

Me abandono.
Deixo minha casa,
Me entrego pro mundo,
Num suspiro profundo,
Num fundo de quem morre,
De quem ausente,
Nem tem presente.
Apenas choro,
Morro um pouco
Todo dia.
Todo dia morro,
No teu sonho louco.
Em que me encontro.
Na tua voz que ouço
E se esvai aos poucos...

No amor vivemos
Sonhamos,
Passamos noites,
Divagando nossos sonhos.
A espera ...
Essa pausa,
Na distância,
Entre o teu verso
E o meu,
Que arranca
Nas entranhas,
Me arrasta pra você.
Doce amor,
Dos meu sonhos,
Vem, seca as lágrimas
Que caem em meu rosto,
Na distância que presente
Choram...
Só buscam a sua poesia
Sem tua luz,
Só nostalgia.

Certas palavras
Dormem na sombra.
Na sombra que não é a minha,
Na boca,
Na vida de outro alguém.
No amor...
Vou procurá-lo,
A vida inteira,
Em meio de desencontros,
Pois se tardo, não te encontro
Se não te encontro,
Não desanimo.
Vou te procurar sempre
E não me canso,
Não desanimo.
Procuro sempre
No verso ausente,
O teu verso,
Na sua palavra,
A minha palavra,
Não desanimo,
Procuro sempre...
E minha procura
Ficará sendo
Minha palavra.

No teu pensamento
Ausente.
Meu presente.
Nos teus olhos
Distantes,
Nosso tempo.
No teu riso,
Meu pranto.
Nos meus olhos,
Tanto amor.
Nos olhos do outro,
Que olha outro rosto
Quanta dor...

Eu te amo, você me ama.
Desde longo tempo
Caminhamos juntos.
E ainda separados,
Há um longo tempo,
Passeio em teus versos,
Passeias nos meus,
Enxugo suas lágrimas,
Enxugas as minhas.
Há tanto tempo
As reticências
Se sobrepõem às linhas,
Formam palavras.
Exalam o desejo
Há um longo tempo.
Seus versos complementam
A minha poesia.
Na sua presença,
Na sua ausência,
Que há muito tempo me ama,
E eu te amo.
Mesmo no tempo,
Mesmo sem tempo,
Nas palavras e na ausência,
Há quanto tempo.
Desde os antigos tempos
Vivemos esse tempo...

Invado suas mágoas,
Me refugio em teus sonhos.
Percorro as estantes,
Os quadros da sala.
Nos retratos antigos
Vejo a sua fala.
Nas quinquilharias,
No meio do dia,
Da noite em açoite,
Refletes minha fala.
Coração em vulcão,
Em tamanha explosão,
Invado o seu mundo.
Agora mudo,
Eternizo.
Vou ao fundo
E no fogo da paixão,
Um dilúvio.
Lá no fundo
A solidão.
Nas flores dadas,
Flores regadas,
Só o oco da paixão.
As flores murchas,
Regadas no destempero da paixão,
Jogadas na sala,
Na quinquilharia dos versos
Que se fazem mudos.
Em meio do tempo,
O amor...aquela flor,
Jogadas ao vento...

Teus passos na areia,
Na areia do mar.
Nas ondas, pegadas,
No coração as tragadas.
Tragadas em soluços.
Deixadas nos passos,
Nos passos na areia.
O sonho perdido
Nas ondas do mar.
Tristes passos caminhas,
Na areia, na vida,
Nas ondas do mar.
Por onde se vai
Só as pegadas,
Pegadas na areia,
Deixadas no mar...

Por que se trancas
Esconde teu rosto
e teu riso?
Levando contigo
meu paraíso?
Por que não queres
O meu carinho
Acariciar-lhe?
Por que cultivas
O desamor
Nessa flor
Que quero ofertar-te?
Sei que não ignoras
O quanto te amo
Em todos os meus dias
Em minhas horas.
Já nem sei quanto
Onde e como
Só sei que te amo
Como te amo tanto!!!

O mundo não é mais.
Sua cor é sem cor.
Vem de sempre.
Vem de antes.
Vem dos dias.
Vem dos tempos.
Esse inexplicável tempo
Que não me deu tempo.
Que sozinha me jogou no tempo.
Há quanto tempo
Vivo sozinha.
Há quanto tempo sem você.
Você no meu tempo
Agora no tempo.
Meu tempo sem você.
Não há mais tempo,
O tempo passou.
Quanto tempo...

Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa.
A lagoa que mora
Do lado da minha casa.
Toda calma, passiva,
Com seus pássaros.
Eu não vi o mar,
Não vivi as ondas
Que brigam eternamente,
Não vi os pássaros,
Que passam por lá.
Não vi seu amor
Passeando nas ondas.
Não tive você
Nas ondas do mar.
Só tive a lagoa
A me procurar...
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