Talvez a vida seja espinho,
Talvez só mais um menino,
Talvez paire no ar,
Buscando voar.
Que seja mar, flor,
Turbilhão, paz,
Mas seja vida pulsante,
Que embreague, entorpeça,
Mas que seja muito mais,
Muito mais do que,
O próprio homem sabe sonhar,
Invista na paz,
Respire esse ar,
Ampare um olhar,
Seja eternamente paz.
CaRlInHa

Coloco-me no seu canto,
Peço proteção, peço sua mão.
Gélida, coração ofegante,
No peito, lágrimas hesitantes.
Transmontas entre charruas,
Recolho teu encanto.
Adentro, vertida,
Me jogo na cama.
Meu corpo trepidante,
Reformulava meu mundo,
Infecto, apertado, imundo.
Da janela varro o mundo,
Varro os mares, tufão...
Resvalo na noite deserta.
Na alma, algemas,
Lágrimas e fel...
CaRlInHa

Meu amigo bem-te-vi,
Com quem aprendeste a voar?
Em meio das borboletas?
Quem te ensinou a cantar?
Bem sei, me viu...
Batendo minhas asas,
No azul imenso do céu.
E no beijo ardente,
Transformou-se em beija-flor.
Lindo bem-te-vi,
Agora beija-flor.
No céu incoerente, ressonou...
Na vida...Só amou...
CaRliNha

No meu peito abrasou,
Toda a cor da saudade,
Em meio do papel,
Amarelado, perdido,
Pisoteado, ofendido.
Andando pelas ladeiras,
Na vida de um marinheiro,
Vivendo só de veleiros,
Num coração estrangeiro,
Fingindo sal do oceano.

CaRlInHa

Não rodo na roda o pião,
Sinto, nem fico no chão.
Nem pouso no vôo do céu,
Enquanto na Terra nem firmo.
Cruzo o rabo do foguete,
Me escondo atrás do planeta.
Coloco a paz como canhão,
Sinto bater teu coração.
Vivo dentro de um vulcão,
Na onda redonda da paz.
Nos favos do mel,
Papoulas vermelhas.
Desenho minha vida num papel.
CaRlInHa

Brindo na taça da despedida.
Me embriago,
Insensatez, fico zonza,
Caio numa esquina,
Vou pra vida vazia.
Ponho o pé na estrada,
Aceito uma carona.
Entrego meu corpo.
No prazer,
Encontro meu fim.
Na lucidez recomeço,
Não existem vazios enfim...

Passado todo aquele tempo,
Me debruço,
Olhando pro tempo,
Nada justo.
Explosões jogadas ao léu,
Nenhum céu.
Lágrimas em minha boca...
Retiram meu véu.
Rego meu jardim,
Na calma louca,
De quem confia.
Nas estrelas, só flores,
Em meio da vida...
Só amores...
CaRlInHa


Brindo na taça da despedida.
Me embriago,
Insensatez, fico zonza,
Caio numa esquina,
Vou pra vida vazia.
Ponho o pé na estrada,
Aceito uma carona.
Entrego meu corpo.
No prazer,
Encontro meu fim.
Na lucidez recomeço,
Não existem vazios enfim...

Passado todo aquele tempo,
Me debruço,
Olhando pro tempo,
Nada justo.
Explosões jogadas ao léu,
Nenhum céu.
Lágrimas em minha boca...
Retiram meu véu.
Rego meu jardim,
Na calma louca,
De quem confia.
Nas estrelas, só flores,
Em meio da vida...
Só amores...
CaRlInHa

Canto a despedida,
Retiro toda a saudade.
Dou boas vindas,
A quem quer que passe.
Pessoas vem e vão,
Parecem furacão.
Me sinto com os pés atados,
Jogados no chão.
Eterno Oi e Adeus...
Roda gigante,
Carrossel...
Vivendo entre a Terra e o céu...
CaRlInHa

Sonhei com o encontro,
Com o encontro que não veio.
Que suas mãos emudeceram,
Que no amor deixou pra depois.
Sonhei com a música,
Que jamais quiz ouvi-la.
Que na luz do luar,
Emudeceram seu canto.
Sonhei o beijo,
Que não recebi.
Vivi na Lua,
Naquela estrela,
No meio da Lua.
Dormi na rua,
Acalentando teus versos.
Acordei na noite fria e nua.
Sem versos na mão,
Acalentando meu pranto,
Tudo em vão
CaRlInhA

Minha boneca...
Lembro da minha infância,
Penso que sempre cresci,
Nos sonhos, só as lembranças,
Tudo ou nada vivi.
A boneca era parte
Do sonho do papai noel.
Esperas que se fundiram,
Em meio de tantos natais.
Meu corpinho fininho,
De tamanho tão pequeno,
Não sei se era moleque,
Ou se mulher me fazia.
Naquele educandário de paz cresci.
Mas sonhava com presentes,
Presentes que nunca vi.
Mas cresci na luz,
Daquela família bendita,
Que seja luz aonde eu fôr.
Na cama minha boneca,
A boneca dos meus sonhos.
Um sonho que nunca existiu.
Aquela boneca sentada,
Sentada na minha cama,
Era eu...
Doce boneca...Quantos sonhos...
CaRlInHa

Luz na vida, no quarto,
Nas paredes, vidraças e portas.
Luz no lençol de cetim,
Nesse anjo que mora em mim,
Que vaga nas noites escondidas,
No calafrio tingindo meu pranto.
Luz na alma que grita,
No som da tua surdez.
O frio chega, a chuva corroi,
Meu manto, esse encanto.
Levo comigo teu pranto,
Teu canto,
Que no meu canto,
Com todo encanto,
Ainda hão de chorar,
Na noite fria...estrelas a me procurar...
CaRliNhA

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