Procuro palavras,
Em vão as procuro.
Sinto as batidas,
Nas folhas esquecidas,
Que em branco falam,
Muito mais do que posso.
Elas fitam os versos.
Amanhã as encontro,
Ou elas me encontram,
Não preciso procurá-las.
Postam as rimas,
Na caneta divagam,
No som das palavras.
Unidas...nem lembram-se de mim...
CaRlInHa
Por que escondo-me ?
De quem?
Nem ao menos sei.
Escondo-me da chuva,
De medo da escuridão.
Na noite gemidos,
Lágrimas no meu telhado...
Uivando na noite em vão.
Escondo-me de mim,
Até do meu coração.
E com medo de sofrer,
Sofro...
CaRlInHa
Não creio, um dia vi,
O amor morando em mim,
Sonho tudo quanto não tenho,
Embora persista, existe?
Na vida nem fui aprendiz,
Refleti, nada senti.
O amor deve ter passado,
Debaixo daquela escada,
Em cima daquela sacada...
Se passou...nem percebi.
Vivia na Lua,
Sonhando as estrelas,
Dormi...nada vi...
CaRlInHa
Não tenho o afago,
O afago de um beijo.
Mora em minha alma,
Toda extensão do desejo.
Sonho,acalento,
Numa cançaõ de ninar.
A chuva que o tempo molhou,
Restos do que sobrou...
CaRlInHa
Seca, a torneira da vida,
Nem pinga, se extingue.
Ao redor, só festa.
Dançam e cantam ,
Na luz do luar.
Não tenho par,
Vivo a vagar...
Nos aplausos da vida,
Sigo o meu caminho só.
Adentro, minha cama espera.
Tão fria e solitária,
Espelho da minha vida.
Jogo-me nela,
E canto nos versos toda a dor...
CaRlInHa
Rola o papel em branco,
Em meio de palavras, flutuam,
No nexo , o anexo.
Se não se completam,
Exalam todo o nexo.
Não me faço entendida,
As palavras ,saboreio.
Meus versos tu hás de ler...
Com nexo...
Sem nexo...
São minhas...As palavras!!!
CaRlInHa
Negro, pisoteado, ofendido,
Viveu na Terra esquecido.
Na escravidão seus versos chorava,
Na senzala triste e fria.
Choros, chicotadas e prantos,
Esmagado no mundo se viu.
Vertida no sangue, a morte,
No porão escuro da dor,
Negro chorou de aflição.
Vivendo na encarnação e no tempo,
Colorindo a alma de branco,
Creio que o negro não viu,
Essa Terra sem sentir espanto.
E o branco que nem percebeu...
Vai voltar negro em outra vez...
Barca da reencarnação...
Quantos planos...
Pra cada um...sua vez...
CaRlInHa
Esperança malograda,
Jogada naquela calçada.
Sinto-me mendigo...
Usando aquela sacola,
Pedindo amor...
Num tostão...esmolas...
Vivendo de artimanhas,
Pra ganhar seu coração.
Mas sinto...não sai da casca do ovo,
Sou projeto numa sombra...
Resguardo meu coração.
Não sou menino travesso...
Vou pedir de mão em mão...
CaRlInHa
Levo minha vida num traço.
Agora nem sigo seus passos.
Traço círculos no espaço.
Vivo a harmonia das cores,
Nas cores de muitos amores.
No espaço traço versos,
Já nem levo teu retrato,
Perdido em noites sem fim.
Divago no oceano,
E no adeus deixo pra depois,
Toda a mágoa...
CaRlInHa
Onde estará meu amor?
Bem sei...escondeu-se de mim...
Onde estará minha paz?
Resvala num beco sem fim.
Onde estará a ilusão?
Viveu malograda e partiu.
Onde andará a dor?
Viveu junto com aquele amor.
Na solidão, o esquecimento,
No grito guerreiro,
Meu canto de morte...
CaRlInHa
Já não vivo beira mar,
O riacho nem vem de mansinho.
Nem os pardais moram mais,
Em cima do meu telhado.
Nas gotas de chuva a falta de luz.
Descanso na areia,
Em meio das conchas.
Deitada em teu ninho,
Nas árvores altas e serenas.
Num sonho perdido, esquecido.
Na gota da madrugada...
Lágrimas que a folha enxugou...
CaRlInHa
Entre a razão e o coração,
Moram o azul e as asas.
No teu coração pura luz,
Flor de amor...
E vai indo...vai rindo...
CaRlInHa
Coloco o pé no veleiro,
Abarco pro mundo inteiro.
Viajo nas choças os versos,
Navego no pálio da noite.
Nas ondas, nos cafezáis,
E danço naquele terreiro,
No meio dos madrigais.
Resvalo nas ondas do mar,
Sonhando nos versos deitar.
Abrasando num canto,
Eu vivo a sonhar.
Vivo no ar,
Sobrevôo o mar...
CaRlInHa
Subo no muro,
Desisto num pulo.
Sem foco.
Sem objeto.
Sem projeto.
Olho a flor.
E a outra dor que dói.
Não sei o que carrega,
Aquele homem que passa.
Se teu coração palpita na sombra,
Ou se vive a naufragar.
Talvez afunde sorrindo,
Brincando com as águas do mar.
Como-o todo num olhar.
Inutil...eu sei.
E lá ele se vai...
Quantos pensamentos inuteis.
Ele se foi...
Caminha na estrada,
Já nem sei com quem,
Nem ao menos, pra onde vai...
De repente, parte-se o cordão...
Morte certa!!!!
Cordão da vida partido,
Tristeza refletida,
Entre dois mundos afins.
Lá se vai mais uma alma,
Nos trilhos da eternidade.
O que haverá de vir,
No mundo que ainda não vi?
Mas que por certo verei...
Sou verme rastejante,
Na Terra só um esboço...
Um esboço do que vivi !!!
Meio do dia,
Sol quebrando nas ondas,
Calor derretendo pensamentos,
Rio diluindo palavras.
Ando na maré do tempo,
Restritos passos,
No silêncio,o mundo.
No campo de esmeraldas,
Olho o casal de rolinhas,
Lá em cima das colinas.
Anoiteço.
Sou feita de barro,
Ecoando azuis profundos...
Não tenho brilho algum...
Que meu rosto não estampasse,
A cólera da ilusão,
Espuma de dor.
Quando nasce,
Entorpece a alma,
Dilacera o coração,
Verte-me como inimigo,
Esmaga-me a fronte.
Estrelas na madrugada,
Na Lua fito deitada.
Na lembrança, sou esquecida,
Corações que não voltam mais...
Vivendo de escuridão,
E a vida de desenganos.
No Tempo...vagam os anos,
Nos anos...só enganos...
|