Há dias leves
No meu caminhar.
Flores na janela,
Pássaros a cantar.
Estrelas brilhando o céu,
Nuvens a me roçar.
Cantigas de ninar.
Há dias tristes,
O pesadelo percorre minha casa,
Revira minha alma,
Brincando de esconde- esconde,
Invadindo  meu corpo.
Cruz, espinho,
Atados em meus pés.
Divago na alternância.
Dias gélidos,
Estâncias distantes.
Corpo em brasa,
Vivendo de instantes...

CaRlInHa

Sinto um anjo incomodando,
Falando pros quatro ventos,
Que na boca calada,
Tivera que adormecer.
Num canto, num botequim,
Tempo antigo de um poeta,
Que cantava a poesia,
Lá na noite sempre em festa.
Os versos põem-se a falar
E esse anjo anda junto.
Vivo seus versos profundos,
Embalando nos meus sonhos,
Todo sonho deste mundo.

CaRlInHa

Na Lua viajo sua rua.
Paro nas esquinas,
Pergunto onde você mora.
Vou além...
Nas quadras procuro os versos,
Assim não tem como errar.
Te vejo na janela,
Olhando as estrelas,
E os meus versos te inspirar.
Te chamo,
Te assustas no tempo.
Me olhas...
Acordas...
Foi sonho.
Mas estou aqui,
Nos versos a te mirar...

CaRlInHa


Conta o acaso que vi,
Triste história do poeta,
Que falava tanto do amor,
Falava tanto da dor
E odiava a solidão.
Poeta morreu poetando,
Do amor só sabia escrever,
No amor da vida presente,
Nada mais pode fazer!!!

Carlinha

Loucuras...
Sinto.
Vem chegando,
Explosão.
Dane-se o ar.
Afora os que sonham...
Loucos!!!
Meu corpo contorce,
Irado,
Reluta,
Insiste,
Naufragado,
Adormece...
Afogado no rio.
Destroços.
Na água renaço,
Lá dentro,
No espaço...

CaRlInHa


Teu retrato.
Pisado.
Amarelado.
Jogado no canto da sala,
Fitava-me e sorria,
Sonhos de amor,
Parecia, nada ocorrera.
Rasgo teu retrato,
Sem sonhos,
Sem risos,
Percorro esse mundo,
Vivendo daquele retrato,
Do teu sonho,
Imundo, sem fundo.

CaRlImHa

Teus dedos,
Nos meus dedos,
Na minha boca,
No meu corpo.
Percorre,
O meu corpo.
O seu corpo em meus dedos.
Afora os desejos,
Vão-se os dedos.
Perdem-se no desejo.
Na boca calam,
Todos os seus dedos
Em mim.
Seus dedos,
Doces segredos.
Entre segredos e dedos,
Vivo o meu fim...
Desejos...

CaRlinHa

Poeta
verte teu cheiro,
No poeta louco,
quero ouvir...
Teu grito rouco.
Alquimia, ouço...
Num sentimento fosco.
Sem lencóis, nem ais,
Joga-se em meus madrigais.
Na minha choça,
Sorrindo estrelas.
Sugando todos os meu ais...

CaRlInHa

Não é o que dói,
Que me dói.
É o nada,
A dor que não cessa.
Esse corte,
Que retalha.
Malbarateia meu corpo.
É o som do silêncio,
De estranhas vozes,
Que gritam,
São elas...
Perturbam...
vão fundo.
Gritam,
Impiedosas,
Nem sentem,
A dor que me causam.
Rasgam-me.
Olho o que restou...
Sangue,
Poeira e chão.
Meu corpo,
Retalhado,
Esquecido,
Num canto qualquer.
Adormecido,
Exalam sussurros...

CaRlInHa


De um fio de vida,
Vive uma vida.

De um fio de linha,
Vive um corte.

De um fio de esperança,
Pausam-se as linhas.

Fios de linhas nas mãos,
Nas mãos as linhas da sorte.

Sem suporte, perdem-se num fio.
Num fio de linha.

No fio da vida.
Num fim sem sorte,
No fio da morte.

CaRlInHa


Pura Homenagem a Minha Mãe...

Amanheceu...
Cheiro de chuva.
Terra molhada,
Na poça que o orvalho deixou.
Na lama que meu coração fitou.
Olhos engelhados, cansados...
Sonhos de quem já passou,
Mãos enrrugadas num olhar perdido.
Ela falava de morte,
No corpo frágil, esquecido.
Nos sonhos que não retornou.
Afaga seus filhos,
Carinhos e beijos.
No coroção levava a esperança,
O reencontro com o amado,
Ele se fora.
Esperança única em meio da solidão.
Sentada num canto quietinha,
Vivia o encanto,
No encanto da morte,
Vivia o reencontro...

CaRlInHa

Vivo na corda bamba.
Nos meus passos, equilibristas.
Movimentos, trapezistas.
Compondo na vida a magia.
Vestindo a cor do palhaço,
Na boca, batom, entre risos.
Pintando na roupa, alegria.
Da platéia arranco sorrisos.
Cortinas se fecham...
Retiro a maquiagem, as roupas...
Não sou palhaço...
Sou porcelana...

CaRlInHa

 

 

Fito o amor bendito,
Acasalado no cio,
Deslizando na água de um rio,
Queimando feito brasa,
Dormindo na tua asa.
Pele quente, macia, ofegante,
Vivendo como gigante,
Nas asas de um passarinho.
Em meu ninho arde,
Delícias...Sussurros...
Fito, vivo, hesitante,
No cio a luz do luar,
Degusta...puro néctar.
Devora meu corpo, minha alma,
Estrelas no Sol,
Na minha cama, agora a calma.
Doce cio...doce alma...

CaRlInHa

Estou a morrer de fome,
Chamando, em vão, por teu nome.
Vagando nas ruas, seus passos.
Sonhando com teus abraços.

De mendigo me vesti,
Asa de arcanjo, voei.
No luar, véu de sombras,
Riscando o céu,  desfilei.

Pouso, caminho aberto,
Sonhei-te no ninho, uma flor, serpente...
Recolho do céu, sementes.
Vago, fecundavas...deserto!!!

CaRlInHa

Meu corpo...
Nu,
Cru.
Fincado no desejo,
Algoz,
Audaz,
Infinda, resvala...
No teu corpo nu,
Ofegante,
Exausto.
Como tufão,
Gemidos na cama.
Jorrando gotas de orvalho,
Cetim que a noite enxugou...

CaRliNha

Cala-se a estranha voz.
Agora, nem os sinos.
Pequeno ser, vivendo de paradigmas,
Nascera do trivial...
Revestido de magnitudes,
Pequenos detalhes, perdidos.
Postava na linha, a pausa.
Perdera-se na antemanhã,
Arredor, ao sabor do destino,
Na chuva de esmeraldas,
Afia o ouvido e escuta- solidão...
Pedras desejadas, desmanchadas...
Afia-lhe o destino algoz.
Na aurora audaz,
Resvala na sombra da morte.
No horizonte imenso,
...Desertos...desertos só.

CaRlInHa

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