Quatro da manhã.
Meus versos doem.
Meus versos morrem.
O mundo deitado sonha.
Os versos passeiam em meu
quarto, sonolentos.
Querem roçar os meu dedos,
Divagar em meus segredos.
Sussurram em meu ouvido,
cantigas de ninar.
Os versos querem rimar.
Versos deitados sonham,
olhando aquela estrela,
lá de cima do telhado.
Os versos sonham demais.
Vou pousar em outro lugar,
e pra lá eu vou morar...
Dou adeus as palavras,
as rimas e versos
em outros céus vão pousar...
CaRlInHa
Afora o mundo,
um outro mundo,
o mundo de todos nós.
Rugindo em nós
seus nós.
Sons que a vida
esqueceu...
Lá fora,
nos versos meus,
ouço seus gemidos.
Histórias de amor
sem fé.
Andando contra
a maré.
Crianças brincam,
casais se fitam,
sem medo algum.
Afora o mundo,
lá fora,
Vivem os versos
de amor...
Lá fora...
CaRlInHa
Que importa a vida!
Que importa...
Se quando eu subo eu caio
e no vão estalo?
Que importa se a felicidade
é passageira e em amar a noite
inteira?
Que importa...
Pra quem importa?
Se no vão acasalei
meu cão, que importa!
O mundo não vai acabar
e eu sei não importa!
Se no vão da confusão
eu só gritei seu nome,
o que importa...
Pra quem importa?
O mundo é um nada,
me vejo na estrada,
que importa...
Pra quem importa?
Escorro nos dedos
da minha mão,
na chaga da criança
viro menino.
Pra quem importa?
Feito cachorro sem dono,
revisto seu pano.
E o que importa?
Pra quem importa?...
CaRlInHa
Não devo desenterrar
neu silêncio.
Infectos de amor
e saudade.
Correndo em meio
do quarto.
Restam pó de amor,
poema.
Enterrados dentro de si.
Insubmissos...
vagam em meu quarto...
CaRlInhA
Pelos
ares
vão
os
versos,
no
Sol
que
a
Lua
ocultou,
jorram
estrelas
na
paz
que
o
dia
acalentou,
que
em
teu
céu
voou,
entre
pedras
e cristais...
CaRlInHa
Voam as palavras,
Na doce liberdade.
Perdem-se no vento...
Sobrevivem ao nosso tempo.
Nos prendem feito amarras,
Jorradas aos nossos pés,
Palavras inventam e sentem...
Palavras vivem na dor,
Na ilusão ou no amor,
Vivendo em açoite,
Toda luz que seduz.
Palavras rasgam o passado,
E na boca do poeta
Devoram a sua expressão,
Exalando um vulcão.
Palavras, doces amarras,
Que teus versos hão de morar,
Na loucura que seduz...
Na noite fria feito menino,
Teus versos irão pousar...
CaRlInHa
Poeta que afia e posta seus versos,
Em ritmo compassado, afinado,
Que flutua na areia do Sol, vendo mar,
Tu és feito nostalgia,
Enchendo sua hora vazia,
De poesia em canção.
Passeia nos versos sua cruz,
Exalando pura luz.
Poeta tu és poesia,
E foste a vida vazia,
Enchendo de amor sua fé.
Na manhã verias lírios,
Com perfume de jasmim,
poeta tu vai poetando,
Nos horizontes da vida,
Transformando pequenas pedras,
Em lindas pedras menina.
Abarca teu vulto de amor,
Acoberta toda luz,
Que nos teus versos há de vir,
Coloridos de amor e fé
Unge poeta nos versos que vem,
Eles vem lá do norte
E abraçam a sua sorte,
Sejas forte nos versos que tem,
Seja sorte.
CaRlInhA
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