Sereno

 

 

Serenando puro orvalho,

Enrolada em meu cobertor,

Lentas melodias aquecem,

O cinza inverno.

Mãos fadigadas, falidas,

Vivem em meu coração.

Cinzentos dias, horas mortas.

Na parede postada,

Vivendo do azul e vermelho,

Reviram meu dia a dia.

Bocejo a tristeza.

É hora de acordar do sono.

Abrir frestas...

Fugir dos pesadelos.

Acordar do luto,

Na alma suave que dorme...

 

CaRlInHa

Acordo

 

 

Acordo.

Concreto silêncio.

Dia escorregadio,

Lágrimas volatilizaram.

Entre janelas, lágrimas da alma.

Mortas melodias acompanham – me.

Solitários passos...

Lá fora, ventos sacodem as nuvens.

Encontro-me,

Na planura do corpo,

Na rasura da alma.

Meu corpo solitário anda.

Pecorro porões.

Nas paredes,

Fios entrelaçados pensam,

Eternizam...

Afora o  Sol nu, sobrevivo.

Dia escorre...

Atropelo estrelas.

Sonho a Lua na areia.

Atropelo seus passos.

Meu passos...

Solitários morrem...

 

CaRlInHa

Que saudade de menina,

Traz no peito o coração.

Da família um dia unida,

Lá na beira do fogão.

 

Do tempo de sofrimento,

Do sustento tão precário,

Doce templo, relicário,

Ultrapassa o imaginário.

 

No quintal pura alegria,

Brincadeira todo dia.

Quando briga ali havia,

Logo a noite desfazia.

 

Eu lembro a família unida,

Doces versos , todo dia.

Maior felicidade não havia,

Nem a dor ali jazia.

 

Destino por que o mal,

Chega bem antes do Sol?

Por que há homens maus,

Com tanto gosto de sal?

 

Lá em cima na euforia,

Vejo Jesus todo dia,

Sempre no manto branco,

Trazendo luz na orgia.

 

Doce menino, um dia,

Morei na paz por aqui.

Na inocência criança,

Vivi toda a minha infância.

 

Hoje sinto, eu cresci,

Creio até , me arrependi.

Quem deras a linda criança,

Vivendo de sonhos aqui.

 

Traz de novo meu menino,

A paz que o dinheiro não dá.

Traz a paz por sobre os homens,

Que querem no mundo lutar.

 

CaRlInHa

 

 

 

 

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